A hotelaria nacional vive um momento de expansão nos últimos três anos, com um elevado nível de performance puxado principalmente pelo aumento das diárias. A combinação disso com o fato do mercado brasileiro ser sub-ofertado vem tornando o investimento na hotelaria bastante atrativo e a SM Hotéis é um bom exemplo desse movimento.
Hoje, a empresa baseada em Jaboticabal (SP) tem um negócio próspero, que movimenta milhões anualmente e que tem um pipeline de aberturas considerável nos próximos anos. Se, no passado, a companhia liderada por Antônio Maria investia em outros produtos imobiliários, hoje está totalmente focado na hotelaria, em uma decisão que não deve se alterar.
“Entramos neste mercado buscando uma alternativa de investimento imobiliário para a região em que atuávamos”, afirma o empresário, que até então investia na incorporação de projetos residenciais e comerciais. “Agora, a partir do momento que apostamos no negócio, vimos que havia muitas oportunidades – e conseguimos aproveitá-las muito bem até aqui”, continua Maria, destacando que, embora ainda detenha participação em loteamentos, a hotelaria é atualmente seu principal foco.
É impossível desassociar a história de sucesso da SM Hotéis da Accor. De fato, a empresa de Maria construiu seu portfólio de 17 hotéis lado a lado com a rede francesa, de quem se tornou uma de suas principais franqueadas no país. “Foi realmente um ‘casamento’ que deu certo. A marca é muito reconhecida pelos hóspedes, o relacionamento com os executivos fluiu bem desde o começo e, a partir do momento que os hotéis deram resultados, não tivemos interesse em conhecer bandeiras da concorrência”, comenta o executivo.
Desde o início da parceria, em 2009, a SM Hotéis assinou praticamente um hotel por ano com a Accor. Hoje, além das 17 unidades em operação, que estão concentradas nos estados de São Paulo e Minas Gerais, a operadora tem outras 10 propriedades no pipeline, entre próprias e administradas, com aberturas previstas até 2028.
Sim, você não leu errado: a empresa de Maria “embarcou” tão forte na hotelaria que, além de desenvolver e incorporar projetos hoteleiros, viu que a gestão de empreendimentos de terceiros era um excelente negócio. “Desde que esses projetos sejam com marca da Accor, é claro”, brinca o empresário.
“As bandeiras da rede francesa são fortes e, por meio dos seus canais de distribuição, conseguimos acessar grandes contas que consolidam nosso negócio. São de empresas como Suzano e Raízen, que geram muitos quartos vendidos. Um de nossos grandes cases de sucesso é o hotel ibis Styles Barretos que, com oito meses de operação, já estava rentável. Por isso, abrir uma propriedade sem ter a Accor como parceria não está na nossa cabeça. Fazendo uma analogia, é a mesma coisa que estar bem casado”, continua Maria.
“Na Accor, acreditamos que parcerias estratégicas sólidas são fundamentais para impulsionar a expansão sustentável e inovadora da hotelaria no Brasil. A SM Hotéis é um exemplo claro disso — uma empresa com visão de longo prazo, comprometida com a excelência e com a geração de valor em cada projeto. Juntos, temos construído empreendimentos que combinam performance, hospitalidade de alto nível e impacto positivo nas regiões em que atuamos. Nossa expectativa é seguir fortalecendo essa parceria, com a assinatura de dois a três novos contratos por ano com a Souza Maria”, afirma Romulo Silva, diretor de Desenvolvimento para Franquias na Accor Brasil.
Histórico
A primeira assinatura de contrato com a Accor ocorreu com o projeto do ibis Jaboticabal (SP), desenvolvido no modelo de condo-hotel, com 68 UHs e aberto em 2012. No ano seguinte, vieram mais duas aberturas: ibis Uberaba (MG), com 147 quartos, e ibis Barretos (SP), com 76 apartamentos, ambos com a mesma estruturação de capital. A inauguração seguinte, em 2014, foi o ibis Budget Sertãozinho (SP), com 119 habitações, e que nasceu a partir de uma parceria com apenas três acionistas.
Hotéis da SM Hotéis
- ibis Jaboticabal (2012), com 68 UHs
- ibis Uberaba (2013), com 147 UHs
- ibis Barretos (2013), 76 UHs
- ibis Budget Sertãozinho (2014), com 119 UHs
- ibis Budget Araraquara (2014), com 119 UHs
- ibis Marília (2017), com 126 UHs
- ibis Budget São José do Rio Preto (2017), com 208 UHs
- ibis Americana (2019), com 126 UHs
- ibis Ribeirão Preto Vila do Golf (2020), com 140 UHs
- ibis Budget Ribeirão Preto Vila do Golf (2020), com 196 UHs
- Mercure Ribeirão Preto (2021), com 152 UHs
- ibis Styles Ribeirão Preto (2021), com 178 UHs
- ibis Botucatu (2022), com 133 UHs
- ibis Arujá (2022), com 126 UHs
- ibis budget Pindamonhangaba (2023), com 112 UHs
- ibis Styles Barretos (2024), com 84 UHs
(*) Fonte: SM Hotéis
Essa inauguração abriu os olhos da SM Hotéis para o fato de que “investir em tijolo” na hotelaria fazia bastante sentido operacionalmente, além de ser um excelente negócio. Por isso, essa estratégia virou paradigma para os empreendimentos que a empresa passou a desenvolver dali em diante. “Como vimos que o negócio era bom, passamos a incorporar, mas sempre ficando com parte do inventário. Hoje, ao lado de sócios, devemos ter mais de 1 mil UHs na nossa carteira de investimentos”, conta Maria.

O ibis Jaboticabal foi a primeira assinatura da SM Hotéis com a Accor
Além disso, como citado, a empresa de Maria passou também a administrar propriedades de terceiros, em outra virada de chave estratégica para a operadora paulista. São os casos dos ibis Arujá (SP), ibis budget Pindamonhangaba (SP) e ibis Botucatu (SP), entre outros.
“Temos ainda outros contratos já assinados construídos por outros investidores em que apenas atuaremos como administradores, casos do ibis Jaú (SP), que inaugura nos próximos meses, além de outras unidades em negociação”, explica. “Queremos crescer nas duas pontas (desenvolvimento e operação). Temos força financeira para incorporar e crescer, bem como eficiência para administrar hotéis de terceiros”, continua.
Para 2025, a expectativa é manter o ritmo de crescimento dos últimos anos. “Nosso orçamento prevê aumento de receita de 10% a 15%, em uma toada similar a de 2024. Esse resultado virá numa combinação entre aumento de ocupação e diária média, associada à otimização de custos. Ainda assim, as tarifas são mesmo o principal impulsionador do resultado”, explica Maria.
Como no futebol, em time que está ganhando não se mexe, certo?